“Porque não tenho prazer na morte de ninguém, diz o Senhor Deus. Portanto, convertei-vos e vivei”
Ezequiel 18:32

Com dois dias de diferença, os telejornais mostraram eventos semelhantes.

Um dia antes, mostrava a comoção da cidade de São Paulo pela morte de seu jovem prefeito. Um homem de trabalho, que lutou pela vida corajosamente, e perdeu sua batalha contra o câncer. Testemunhos vindos até mesmo de adversários, lamentavam a perda de alguém com o esse caráter. Parece que os péssimos políticos têm vida longa, e escapam diariamente da justiça refugiados em suas imunidades. Sua morte me entristeceu.

Um dia depois, cenas de lamento noticiavam a morte de um artista, para mim desconhecido, mas “curtido” por uma massa de jovens que o fizeram, na linguagem do mundo artístico, seu ídolo. Os relatos iniciais da causa de sua morte ainda estão confusos. Ele teria caído da sacada do prédio ao tentar passar de um apto para outro. Antes de morrer, fez um show clandestino, depois bebeu, usou drogas até culminar com sua morte. Ele era um modelo amado e seguido por milhares de jovens. Isso também me deixou entristecido.

Ao mesmo tempo, somam-se a isso notícias sobre milhares de mortos por covid-19, falta de vacinas, desvios e desmandos de governos no tratar do com a pandemia, e uma parte significativa da população fazendo festas clandestinas e brincando com a morte parece nos trazer um abatimento. A luta contra a impiedade e o mal que prospera aqui e pelo mundo parece ser uma batalha perdida.  

O que fazer diante desta crise moral e da desesperança com os rumos deste país que eu amo e sirvo? Pensei na Inglaterra de João Wesley, do século XVIII, uma sociedade conturbada pela Revolução Industrial, onde crescia muito o número de desempregados. A Inglaterra estava cheia de mendigos itinerantes, políticos corruptos, vícios e violência generalizada. O cristianismo, em todas as suas denominações, estava definhando. Ao invés de influenciar, o cristianismo estava sendo influenciado, de maneira alarmante, pela apatia religiosa e pela degeneração moral.

Ao bater uma vontade enorme de desistir, pensei nesse evangelista inglês que eu aprendi a admirar, que também em crise, vai a uma reunião de oração na Rua Aldersgate, em Londres. Seu coração se parece com o meu. Olha para si e para o resto e não vê muita saída. Mas vai à reunião de oração. O dia era 24 de maio de 1738. No pequeno salão de reunião, ouve a leitura de um antigo comentário escrito por Martinho Lutero, sobre a carta aos Romanos. João Wesley sente seu coração se aquecer, experimentando uma outra confiança em Cristo e recebe a segurança de que Deus havia perdoado seus pecados. Quando sai da reunião seu país continua no caos, mas ele mudou. Ele, sim, está diferente.

Em Deus nossos corações se aquecem quando estão congelando no frio das realidades pecadoras e decaídas. Preciso da coragem que se acendeu no coração de João Wesley para plantar a santidade de Deus nesta nação, e redimir os homens que perderam por completo o rumo. Ao voltar para casa naquela noite, ele ainda não tinha noção do que geraria na história a partir das energias divinas que recebeu.

João Wesley nunca mais foi o mesmo, nem a Inglaterra, nem o mundo. Ele não semeou um novo partido, nem organizou as massas para tomar o poder. Não reformou a constituição, nem o poder judiciário. Apenas pregou com autoridade o perdão e o amor de Deus, e imprimiu na consciência dos homens de seu tempo que Deus é Santo, e precisavam sê-lo também. As mudanças vieram porque o caráter das pessoas de seu país foi mudado por Deus.

Preciso com urgência de um lugar como Aldersgate e da mesma fagulha Divina!

Aqueça hoje, Senhor, o meu coração!

Preciso de esperança e de salvar minha geração e meu país.

                                                 Pr. Sérgio de Oliveira Campos