“Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo”. João 16:33

                Os astronautas lidam com uma série de problemas à medida que ficam longos períodos no espaço. Um fato inevitável das viagens espaciais é a perda de massa óssea. Em ambiente de baixa gravidade, os ossos dos astronautas ficam com o passar dos dias, cada vez mais fracos. Os idosos perdem, com o envelhecimento, 1% da massa óssea todos os anos. Os astronautas (pessoas jovens e de boa saúde) perdem 1% da massa óssea por mês que ficam no espaço. A rotina de um astronauta inclui várias horas diárias de atividades físicas na tentativa de diminuir essa perda. O osso enfraquece quando não tem forças agindo sobre ele, forças que o opõem e que o desgastam. A mesma força que no dia-a-dia “cansa” o osso é capaz de deixá-lo, no longo prazo, mais forte.

                “No mundo tereis aflições”. Elas não são uma possibilidade, mas um fato. Jesus afirmou que, independentemente de estarmos nele ou não, aflições nos acompanhariam nesta existência. A soma e a sucessão delas é capaz de nos desestimular e, até de nos fazer desistir. Paulo diz: “nos gloriamos nas próprias tribulações” (Rm. 5:3). Como seria possível considerar o passar por dificuldades algo a ser valorizado? O próprio apóstolo explica que a tribulação produz perseverança, experiência e esperança. E esta esperança não nos decepcionará pois sabemos que Deus nos ama. A dificuldade deste mundo nos faz ansiar, ainda mais, por algo que esse mundo não pode preencher: um desejo pela eternidade junto daquele que nos adotou como filhos.

                Esse Pai misericordioso é o “Deus de toda a consolação” (2Co. 1:3). Ele nos conforta nas nossas tribulações. Esse conforto recebido é útil a nós e aos nossos irmãos. Quando o outro está em angústia nós o consolamos com o encorajamento recebido de Deus durante a nossa dificuldade. A graça de Deus nos assegura essa mesma graça que compartilhamos com outros. A nossa aflição serve para sermos encorajados e, também, para que possamos encorajar os demais.

                As aflições, também mudam o nosso ponto de apoio. Paulo, relata que foi esmagado e oprimido além do que poderia suportar e chegou a pensar que não sobreviveria. Esse sofrimento resultou em deixar de confiar nele mesmo e passar a confiar apenas em Deus (2 Co. 1:9). A tribulação pode ser uma oportunidade de nos fazer confiar mais em Deus e menos em nós à medida que tira nossa visão autossuficiente de que “eu” consigo, “eu” planejo, “eu” faço…. e adotar uma visão de: Deus faz, através de mim, para a Sua glória e segundo a Sua bondade e amor.

                Deus, em sua fidelidade, não permitirá tentação maior do que podemos suportar. Por isso, persistimos. “Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos”. Não há permissão para que o sofrimento passe do ponto em que seríamos destruídos. Mais ainda, tudo coopera para o bem daquele que ama a Deus. Devemos permanecer, mesmo na dificuldade, sabendo que ela terá fim e que ela resultará em bem, de algum modo.

                O salmista fala que ainda que ande por lugar difíceis não terá medo porque Deus está com ele (Salmo 23). Podemos ter essa confiança? Será que cremos que Emanuel (Deus conosco), que enviou seu Filho para morrer por nós, se preocupa com a nossa vida? “Se ele não poupou nem mesmo seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, acaso não nos dará todas as outras coisas?” (Rm. 8:32). Nada pode nos separar do amor de Deus, nem mesmo nossos sofrimentos e angústias.

                Que as revelações do apóstolo Paulo nos ajudem a prosseguir, especialmente, quando as circunstâncias forem difíceis: “Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas”. (2Co. 4:16-18)

Lucas Machado Barbosa de Lelis