“Eis que eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas”. – Mateus 10:16

No dia 18 desse mês, nossa 8ª Região Eclesiástica perdeu um de seus pastores para a COVID-19. Trata-se do Pr. José Olímpio da Silva, que estava à frente da Igreja de Vila Rica-MT. Homem de vida com Deus, intercessor conhecido há anos, pastor dedicado, visitador e conselheiro, estava sempre pronto a servir no que era solicitado. Tinha 61 anos; nenhuma comorbidade, e travou sua última batalha contra o vírus.

Isso me fez refletir sobre nossos posicionamentos de fé diante dessa pandemia. Me lembrei que, tempos atrás, quando numa reunião de pastores debatíamos sobre uma “crise” que se formava como uma tempestade ao final do governo Dilma, e que certamente tal crise refletiria sobre a vida da igreja, um dos colegas jogou “água fria” em nossa discussão dizendo: “temos que olhar para Cristo, e não para a crise”. Naquele momento a maioria dos que estavam preocupados com os contornos da crise fomos colocados como “homens de pouca fé”. E a crise veio. E por que veio? Faltou fé ou faltou visão?

Eu, aos 64 anos, hipertenso e pré-diabético, faço parte do grupo de risco para a COVID-19. Desde o retorno aos cultos presenciais não deixei de ir um único domingo à igreja, contrariando minha própria orientação aos membros. Mas sei que não posso me “retirar” do mundo, como disse Cristo em sua oração sacerdotal, mas que Deus nos livrasse do mal. Há males que Deus me livra; há outros que posso evitar. Precisamos correr riscos. Porém, não podemos ser inconsequentes. Evitemos tudo o que não seja essencial.

Temos visto gente com o “olhar em Cristo” morrendo nesses dias. E sermos cautelosos não significa não termos fé. O momento exige PRUDÊNCIA e OBEDIÊNCIA. São virtudes bíblicas aplicáveis em todo contexto. E eu preciso ser o primeiro a dar o exemplo. Não temo a morte, pois em Jesus tenho a vida eterna, mas não serei irresponsável ou inconsequente com essa vida e o ministério que Deus me confiou. Peço também que toda a igreja seja cuidadosa e obediente. Não tentaremos o Senhor nosso Deus.

Os dias são maus. Temos visto, por exemplo o “caos” que se estabeleceu em Manaus, e nesse momento em que se culpa o governo de omissão e descaso, precisamos considerar que os cuidados preventivos não foram observados por aquela população; que medidas como distanciamento social e evitar aglomerações nestas festas de final de ano foram, e continuam sendo desrespeitadas não apenas lá, mas em todo o país. No momento em que CIENTIFICAMENTE nenhum tratamento eficaz existe e a vacina está ainda distante por causa da insensatez política, o que nos resta fazer é nos cuidar.

A segunda onda da COVID-19 já levanta seus números letais no mundo todo, e já nos assusta aqui. E concretamente não temos outra medida protetiva que não seja a prudência. Mais uma vez afirmo: Não é falta de fé. É presença de cuidado e amor. Não quero que chorem por mim, nem quero chorar pelos que amo.

Mesmo que você não pertença ao grupo de risco por ser jovem, você poderá ser o causador de aflições em outros. O tempo é de sacrifícios uns pelos outros. Ouvi de alguém que temos mais de 200 mil mortos porque eles não tomaram cloroquina. Ignorância também ajuda enganar e matar pregando soluções que não existem. O tempo agora é de “afastar-se de abraçar”, como disse Salomão no Capítulo 3 do Livro de Eclesiastes.

O Pr. Olímpio nos fará imensa falta, a começar para sua família.

Caso ocorra comigo ou com você, o sentimento será sempre o mesmo.

Deus abençoe mais essa família enlutada.

                                                                                  Pr. Sérgio de Oliveira Campos