“Há caminho que parece direito ao homem, mas afinal são caminhos de morte” – Pv. 16:25

A estrada rasgada no meio da vegetação, ora reta, ora sinuosa, avança em direção ao seu destino. Em tempos de chuva, o mato à esquerda ou à direita, está todo renovado, atapetando de verde suas margens, contrapondo-se ao leito escuro do asfalto.

                De tempos em tempos esse convívio aparentemente harmônico é quebrado pela triste visão de animais silvestres mortos por atropelamento ao tentarem fazer a travessia da estrada. São felinos, tatus, tamanduás, aves diversas, raposas…tombados no leito ou acostamento da estrada. Ali, eles permanecem como um aviso mudo de que as possibilidades de vida ou de morte caminham juntas na vida dos inocentes, displicentes ou desavisados.

                Tanto homens como animais cruzam continuamente a estrada. De um lado e do outro as necessidades os induzem a atravessarem esse caminho. E quando esse momento coincide com o transitar de um veículo, o choque entre os dois corpos em movimento será inevitável e resultará em mais tristes carcaças caídas.

                O pecar se assemelha a essa travessia arriscada e perigosa. Nossos desejos e impulsos a todo instante nos fazem cruzar caminhos que nos conduzirão à vida ou à morte. Satanás vai trafegar sempre na direção contrária aos propósitos de Deus. E quando a vontade corrompida dele coincidir com as inclinações carnais que cultivamos o choque será inevitável e sempre desastroso para o lado mais fraco.

                A todo instante seremos desafiados a cruzar o caminho das possibilidades e conquistas. Algo nos induzirá no pensamento sobre uma oportunidade que não pode ser jogada fora; outras vezes o risco aparente poderá ser reduzido se agirmos com esperteza e um pouco de sorte. Assim, inúmeras vezes atravessamos à frente do maligno, e o fato de escaparmos ilesos das consequências vai nos encorajando e novas e ousadas tentativas. E então vem o inevitável. Absortos pelos sucessos anteriores e pelo desejo muitas vezes incontrolável, descuidamos da travessia e inesperadamente somos feridos e acabamos tombando pelo caminho.

O inimigo mutilador se alegrará em nos moer e envergonhar. Seus verbos continuamente conjugados desde o início do universo são: ROUBAR, MATAR e DESTRUIR. Não se importará em deixar vidas preciosas caídas, feridas ou mortas para o espanto dos passantes e para a tristeza dos que as amam.

                Muito raramente, os atropelamentos ocorrem na primeira travessia ou transgressão. Satanás permitirá que tentemos ou erremos sem sermos de imediato apanhados, para que não tenhamos receio da destruição que trará. O estrago será maior quanto maior for o descuido ou a autoconfiança. Nos fará crer que os males vêm sobre os outros e não sobre nós.

                Pelas estradas da vida seus restos se encontram aos milhares. Anônimos ou famosos, Satanás vai dia a dia aumentando seu rol de vítimas. Deixaram a segurança da vida plena e colidiram com o crime, a droga ou a corrupção; alguns se perderam precocemente; outros se desfizeram aos poucos em lenta agonia; mas no final da travessia todos estarão igualmente destruídos se, antes, não forem resgatados e socorridos.

                Por esses mesmos caminhos também transita o Filho de Deus, o bom pastor, que por isso veio a esse mundo tratar os feridos, reencontrar os perdidos e ressuscitar os mortos. Há dois mil anos que se dedica a esse trabalho. Pode ser encontrado em todas as estradas do mundo, das maiores aos mais singelos caminhos.

Ele está passando a todo instante, a espera de uma oportunidade para fazer algo por alguém que se feriu. Ele vai às últimas consequências por alguém.

Não se preocupe. Ele é especialista em vida!

                                                                            Pr. Sérgio de Oliveira Campos