“Porém, quando menos esperarem, virá a destruição. Eles serão apanhados pelas suas próprias armadilhas; cairão nelas e serão destruídos” – Salmos 35:8

                Já era começo de noite quando pegamos a estrada.

Com apenas o rádio por companhia, cruzamos a ponte que dividia os dois municípios, dando início à uma longa subida. Assim que a começamos, de longe já notamos uma espessa cortina de fumaça e um cinturão de fogo vivo, que caminhando em linha, avançava sobre o mato seco. Não era possível estabelecer quando ou onde o fogo começara, mas agora é uma frente ampla, que avançava firmemente, transformando em cinza o mato que alcançava.

                A maioria das pessoas ao redor certamente não sabia do incêndio florestal, ou se sabia, aquilo não lhes afetava diretamente. Nos bairros adjacentes, a rotina nas casas não se alterou e nem o fato parecia ter importância. Parece que por ali fogo no mato é algo que acontece todos os dias.

                Não é nosso hábito nos ligarmos às coisas que acontecem longe. Só nos preocupamos com aquilo que venha a nos ameaçar ou atingir pessoalmente. Enquanto as tragédias e as dores estão fora da nossa casa, assistimos ao mover das situações e deixamos correr o tempo sem nos envolvermos com os acontecimentos.

                Existimos numa complexa rede de causas e efeitos. Foi uma única fagulha que ateou fogo na mata, e agora muitas formas de vida sofriam as consequências do incêndio. O que me acontece tem efeito sobre o mundo e vice-versa. O mundo é problema de cada um, e não podemos assistir as crises sem nos envolvermos com elas.

                Um fogo destruidor originou-se no Jardim do Éden, e vem se propagando pela história. Numa opção desastrosa, a humanidade perdeu-se de Deus, e ateou fogo ao projeto de eternidade estabelecido pelo criador. De Adão até os dias de hoje, assistimos ao destruir dos homens e suas obras. A morte física, como também a violência, a corrupção, a injustiça, e a maldade, destroem vidas, lares, patrimônios, comprometendo a continuidade da vida no próprio planeta.             

Esta ação destruidora avança, diariamente, sobre os homens e a natureza. Seu lema é ROUBAR, MATAR E DESTRUIR. Os noticiários e jornais trazem os dados do seu avanço todos os dias. Carros-bomba, terrorismo, acidentes, rebeliões, escândalos, gente agredida, gente empobrecida, natureza comprometida. Em meio aos sinais de fogo, um pouco de futebol, receitas de culinária, apelos para a corrida de fórmula 1 ou do desfile das escolas de samba fazem uma cortina de fumaça sobre a destruição ativa que avança.

Deus não cruzou os braços ante a tragédia da perdição humana. Ele mobilizou o céu para que o mal pudesse ser estancado e a vida resgatada. A terra exaurida e cansada recebeu o Filho de Deus que veio pessoalmente combater a morte. E nessa luta contra o pecado, ele ofereceu Sua vida para que que o resgate da terra fosse viabilizado.            

                Ainda que percebamos apenas os focos do grande incêndio, o trabalho de resgate está acontecendo. As ações contra o fogo e a favor da vida estão em pleno curso, mas precisam ser concluídas. Por isso Jesus irá voltar. Sua volta parece algo desconhecido e pouco provável para a grande massa. A maioria das pessoas estará sendo conduzida ou manipulada para não perceberem este grande momento na história humana.

Os acontecimentos sinalizam que a salvação avança. Sinais e indicadores de um tempo decisivo desta história já podem ser vistos. E os que propagem os incêndios ou os que fogem dele se encontrarão frente a frente com o próprio Cristo. Só aqui esse tempo de “queimadas” terá seu fim.

                Meu pai dizia “Não há bem que nunca dure, nem mal que nunca se acabe”. O cinturão de fogo não pode avançar indefinidamente. Tudo tem seu fim. Pode ser que haja muito ainda o que queimar e destruir, mas a qualquer momento, poderemos ter notícias novas.

Alguém vai intervir nessa história da terra.        

                Abra os olhos!

                                                                                    Pr. Sérgio de Oliveira Campos