“O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más”. Jo. 3:19

Na época em que o GPS ainda não existia no celular, após várias horas de viagem, nos aproximamos de um grande trevo, mas estávamos indecisos à procura de um dos acessos de entrada para a cidade.

Com muitas possibilidades e poucas explicações, procurávamos confirmar nas placas da estrada a certeza do caminho certo. À medida que procurávamos, percebemos que algo incomum acontecera com as placas de sinalização: os pichadores haviam desfigurados a maioria delas, dificultando a compreensão e distorcendo os sinais. A mensagem confusa dos pichadores era “bem clara”: queremos desorientar, confundir e dificultar.

                Classicamente se define Satanás como aquele que veio para roubar, matar e destruir, porém, eu acrescento a estes verbos o CONFUNDIR e DESORIENTAR à sua lista caótica. Valores e verdades podem ser distorcidas ou transformadas em meias verdades, e desta forma, serem assimilados com enganos e mentiras.

                Vivemos um tempo de valorização do conhecimento e o próprio homem se gaba de quebrar muitos mitos do passado através da revelação da verdade. Porém, este tempo de avanço, também mostra muitos retrocessos. Nunca se bebeu tanto, nunca se usou tanta maconha ou cocaína; nunca a sociedade esteve tão violenta e a corrupção tão à vista. O tempo que vivemos é de crise de valores, muitos deles colocados em cheque pela ciência ou pela sociedade deste tempo, e  quando se tira dos homens seu referencial de justiça e verdade, o diabo deita e rola em cima dos valores relativos e das falsas ideias de liberdade.

                A partir desse relativismo nocivo, de repente parece que tudo o que é antigo torna-se ruim e questionável. Por isso a juventude é empurrada para a rebeldia e a desobediência em nome da liberdade e da autodeterminação. Tudo que foi construído como base moral e ética é questionado por esta geração, e nada consistente é colocado no lugar. Tira-se as cercas de proteção e as placas dos precipícios, e se espera que eles descubram, por si mesmos, que perigos e abismos existem.

                Olhando aquelas placas e lendo-as com dificuldade, lembrei-me que na infância brincávamos com formigas saúvas de forma sádica: tapávamos a entrada de seus formigueiros pelo simples prazer de vê-las desorientadas. Elas passavam grande parte do tempo procurando o acesso ao seu mundo, e depois de muito esforço combinado entre as formigas que ficaram presas dentro e as que ficaram perdidas fora, elas reencontravam o caminho da normalidade até a nossa próxima maldade. Estranho o prazer de desorientar, tumultuar e confundir o mundo das formigas ou das pessoas. É um resquício de maldade que adquirimos em nossa queda quando passamos a conviver com o diabo.

                Depois de um certo trabalho conseguimos chegar ao nosso destino. Não dei aos pichadores o prazer de perder-me, mas confesso que ficou mais difícil o chegar. As placas precisavam ser amadas e preservadas porque elas têm uma importante e bela finalidade: orientar os viajantes para que cheguem ao destino, e não se percam nessa tentativa.

                Ainda que o mundo esteja confuso, temos uma orientação divina, chamada de Espírito Santo, que nos guia por entre as trevas e dúvidas, e nos levam a toda verdade. E não há poder espiritual ou humano capaz de alterá-lo ou adulterá-lo.

                Ele é Deus, desde de sempre.

                Tudo muda. Menos Ele!!!

Pr. Sérgio de Oliveira Campos