“Sabei que o Senhor é Deus; foi Ele quem nos fez, e dele somos…” 
–  Sl. 100:3

Do outro lado do telefone, uma voz familiar me comunicou uma decisão ousada:

– “Pretendo deixar meu emprego, pastor. Preciso achar um caminho que me leve mais longe. Aqui cheguei no topo desde que me sentei a primeira vez na cadeira que ainda ocupo seis anos depois. O sr. me abençoa…?”

Sempre que saímos de nossa posição de conforto, estamos expostos às novidades, dificuldades e surpresas – ora boas, ora más. Por isso as turbulências não atingem os mortos. Eles não enfrentam mais o novo ou o inesperado. As dificuldades advêm por ainda termos sonhos, ou simplesmente porque ainda estamos vivos. O dia que deixarmos de sonhar, estas dificuldades deixarão de acontecer.

Ao mesmo tempo que as mudanças nos assustam, elas são necessárias. O conforto do útero, por exemplo é interrompido pelas pressões e apertos na hora do parto. Somos tirados de onde estávamos acostumados, de onde foi nossa segurança durante nove meses, e vamos enfrentar um mundo totalmente novo e desconhecido. E nós ainda estamos pequenos e inexperientes. Se insistirmos em permanecer no útero, morreremos.

  Enquanto as mudanças não acontecem temos que ocupar os espaços que Deus nos concede e fazermos o melhor neles. As promessas divinas têm seu tempo e seus caminhos. Quando Ele chamou a Abraão para fazer dele uma grande bênção, ele tinha 74 anos. Aos 99 anos ele se queixa que seu herdeiro ainda é um servo, e não o filho da promessa. Os anos se passaram e Deus não parece ter pressa. Abraão está ansioso porque, aparentemente, o tempo está passando e nada está acontecendo. Essa é a sensação de muitos.

Por que para alguns o caminho parece ser mais longo e difícil? Eu creio que seja porque eles ainda não estejam prontos! Não vejo outra razão. A gestação precisa dos nove meses. Nascer de seis ou sete meses é antecipar lutas e sofrimento sem estarmos preparados para eles. Enquanto o momento não chegar, Deus nos dá condições para aguardar.

Um fracasso não é o fim.  No momento que estivermos aptos para recebermos a nova incumbência divina, ela virá. Somos apressados e ansiosos. Abraão esperou 25 anos por um filho. José esperou muito mais para compreender porque foi parar no Egito contra a sua vontade. O que precisamos é nos dispor a caminhar e aguardarmos o tempo de Deus sem traumas. Não precisamos explicar nada a ninguém. Não é errado tentar e não conseguir.

Não pergunte a Deus os motivos dos “nãos” ou da demora. Ele é Senhor e pronto! Não se envergonhe! Só sinta vergonha se vier a desistir sem lutar ou de não enfrentar os desafios. Só é reprovado num teste quem prestou. Quem não se submeteu nem sequer tentou. Só os que tentam fracassam, bem como só os que tentam avançam.

Se houver algum “erro” no seu sonho a culpa nunca será de Deus. Quem fracassa num concurso ou numa seleção para emprego pode questionar: por que Deus permitiu que eu tirasse uma nota tão ruim ou não tivesse sucesso em minha tentativa? Reflita melhor: Não é Deus quem presta as provas. Não foi Ele que deixou você tirar uma nota ruim! Você tirou nota ruim no concurso que Deus te permitiu prestar. Como pastor quando me procuram para orar ás vésperas de provas ou concursos, procuro pedir para Deus não o gabarito das provas, mas para que meus candidatos rendam tudo o que podem, e que nada emocional ou espiritual os impeçam de expressar toda a sua condição de serem aprovados.

As mudanças nem sempre serão definitivas. Deus nos leva a outros lugares e experiências, mas aproveita o caminho para nos ensinar e preparar. Às vezes estamos numa situação que não era o que pretendíamos, mas isso não é nosso destino final. Deus, sim, tem a última palavra sobre o futuro. Se a porta foi aberta por Ele, o momento será BENÇÃO até que ele nos conduza à próxima porta. A vontade de Deus se expressa no caminho.

Não se preocupe com os não ou com o tempo. Faça o seu melhor até Deus mover-se.

No final de tudo, nós seremos felizes e Deus será louvado.

Pr. Sérgio de Oliveira Campos