OLHO: “Respondeu ele: Se é pecador, não sei; uma coisa sei: eu era cego e agora vejo”.  João 9:25.

OLHO: “Respondeu ele: Se é pecador, não sei; uma coisa sei: eu era cego e agora vejo”.  João 9:25.

Se você nasceu e viveu nas imediações de São Paulo, certamente deve ter visto essa pichação de significado incerto: “CÃO FILA KM 26”, presente nas décadas de 60, 70 e 80. Era comum passarmos por rodovias e visualiza-la sobre pedras, pontes, viadutos e barrancos, enfim, nos mais longínquos e inóspitos lugares; a frase se espalhou pelo Brasil de Norte a Sul.

Criador e proprietário do maior Canil da raça Fila Brasileiro na época o Sr. Antenor Lara Campos, mais conhecido “Tozinho”, pichou por todo o país, do Oiapoque ao Chuí a frase em evidência. Uma das histórias sobre isso relatava que ele, ao ganhar uma aposta, condenou o perdedor a pichar a frase “Cão Fila Km 26”, enquanto vivesse – pura imaginação e folclore.

Viajante desde criança, meus avós me pegavam nos finais de semana ou férias para viajarmos. Assim, era fácil encontrar tais pichações pelas estradas que passávamos. Em uma dessas viagens perguntei a eles qual era o significado disso. Pra mim e para boa parte das pessoas o sentido daquela pichação era incompleto. Meu avô, viajante e bem informado, respondeu que tratava de um Canil situado no Km 26 da represa Billings em São Paulo. Não demorou muito e ele me levou para visitar o local. A pichação tinha atingido seu objetivo – aguçar nossa curiosidade e posteriormente adquirir um cão da raça Fila Brasileiro.

Na visita me recordo que o local era aterrorizante. Havia várias placas de sinalização como: “cuidado cão Bravo”, símbolos de caveiras, “cuidado perigo de morte”, etc. O lugar colocava medo; hoje, mais experiente, concluo que tais avisos faziam parte de uma eficiente estratégia de Marketing. Desta maneira o proprietário passava a ideia de máxima proteção e segurança aos futuros compradores do seu cão de guarda. Partimos do local bastante impressionados, e com certa vontade de adquirir um exemplar dessa raça. Lembro que nesse canil havia mais de 160 animais.

Hoje, muita coisa mudou. Cães de guarda deram lugar a câmeras de monitoramento, cercas elétricas, serpentinas de aço e condomínios fechados. Os canis como Cão Fila Km-26, perderam seu glamour, dando lugar a cães de companhia e de Pet Shops. Na área de Marketing, a chegada da internet, Facebook ou Instagram – mudou a exposição dos produtos, ao mesmo tempo que legislações ambientais que não permitem mais que lugares públicos ou privados sejam pichados.

Tal história me fez lembrar do texto bíblico onde Jesus cura um cego de nascença e ele então, testemunha: “Se é pecador não sei; uma coisa sei; eu era cego, e agora vejo” (João 9:25). O filho de Deus, faz lodo com saliva e terra, e após passa-lo sobre os olhos do cego, pede que se lave no tanque de Siloé. E ele volta enxergando.

A cura se deu pela soma de poder, barro e fé. Jesus não utilizou pichações, redes sociais ou estratégias de Marketing para que o poder de Deus se tornasse conhecido e o milagre realizado, toda região da Galileia testemunhou esse fato. Séculos já se passaram e seu feito ainda é comentado nos dias de hoje.

Os discípulos perguntaram a Jesus de quem era a “culpa” pela cegueira: do próprio cego ou de seus pais? Jesus responde: nem uma coisa, nem outra. Ao dar visão àquele cego de nascença Jesus também acende uma luz espiritual sobre a cegueira religiosa daquele tempo, para que abrissem os olhos para as verdades novas que Ele trazia ao mundo.

Meu avô levou-me ao CÃO FILA KM 26. Isso deixou de ser uma mensagem de pichação para se tornar uma experiência. Agora eu sabia a verdade dos fatos e toda verdade esclarece e liberta. Conhecer Jesus não foi diferente. Eu também precisei sair das impressões confusas e vagas para uma “experiência”.

                O que você sabe sobre Jesus e a fé cristã? Tem feito seus conceitos a partir dos erros e impressões de outros, ou sabe exatamente do que se trata?

O cristianismo é uma experiência, e não uma impressão.

Que tal pensar um pouco sobre isso…?

                                                                                                Sérgio Eduardo