“… pastoreai o rebanho de Deus que está sob vosso cuidado, não por constrangimento, mas voluntariamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como ditadores daqueles que vos foram confiados, antes, tornando-vos exemplos do rebanho” – IPedro. 5:2-3

Era bem visível grudada do lado esquerdo da tampa traseira o símbolo conhecido das quatro argolas que identificam os automóveis alemães da marca “AUDI”. De plástico cromado, a imitação do emblema famoso contrastava com o carro que o transportava. Era um GOL “quadrado”, um dos mais populares carros do Brasil, arrastando-se ruidosamente tendo em vistas as péssimas condições de conservação. 

                Que mal haveria de pregar-se um emblema de AUDI num “moribundo” vestígio de GOL? Nada de mais, exceto que ele certamente admirava e sonhava com o excelente automóvel alemão, mas seu dia-a-dia era montado no básico GOL quadrado.

                Amo meu carro, não porque seja AUDI. Gosto dele porque é o meu carro, e cuido dele porque é o meu carro. Existem melhores? Certamente, mas não são meus, nem estão nos meus projetos. Eu vivo a minha realidade e não sou infeliz por isso. Pior deve ser comer pão com sardinha desejando todo o tempo um rodízio de churrasco.

                A síndrome do “Gol-Audi” pode acometer muitas outras relações. Tem gente que ama o Mickey Mouse, mas o animal acessível à sua realidade é um frango de granja de 5,90 o quilo. Para mim, o frango ganha quilômetros do Mickey Mouse, mas tem gente infeliz por isso. Penso nos homens que “fantasiam” se relacionar com aquela atriz famosa, mas vivem casados com mulheres anônimas. Deve ser frustrante cobiçar as bolsas caras da Victor Hugo, e andar com uma imitação chinesa idêntica de 50,00 Reais do camelô.

                Nós pastores dos pequenos ministérios experimentamos a mesma sensação com as ovelhas. Elas se encantam com pregadores e igrejas AUDI do rádio e TV, mas quando chegam à sua Igreja, acham um GOL. E grudam as argolas do AUDI em sua Igreja GOL. Vão nos megaeventos “AUDI”, com os Fernandinhos, e depois dessa “transfiguração” tem que voltar no domingo para enfrentarem os pequenos cultos GOL, com pastores GOL e ministérios de música GOL.

                Não condeno a noiva que freta a limusine para levá-la na Igreja no dia do casamento, mas seu carro do dia-a-dia, o que vai levá-la ao supermercado é o GOL quadrado. As limusines não são feitas para irem ao supermercado ou buscar gente para o culto da noite. As limusines não são a regra no mundo, mas a exceção.

                Vejo várias ovelhas colando um emblema de AUDI ao lado da “Cruz e da Chama”. Vejo gente encantada com o “Apóstolo” Valdemiro ou com as polêmicas pregações do Pr. Malafaya. Tem gente que ouve mais o Pr. Aluísio pelo rádio do que seus líderes ou seu próprio pastor local na semana. Não é pecado gostar de um carro AUDI. Eu também sei apreciar o que é bom. Muitos pastores e líderes que estão na mídia são excelentes, e por isso têm muitos seguidores virtuais. Deus tem usado muitos profetas nesse tempo. Aleluia!

Mas nessas mega-Igrejas o pastor AUDI os desconhece. Ele é totalmente impessoal. Não é o adesivo de plástico AUDI que os carrega. Sou eu, o GOL quadrado, que conheço o meu rebanho, quem participa cotidianamente de suas tribulações e vitórias. Nas crises conjugais sou eu que estou; nas dores e velórios sou eu que choro; nos tumores e acidentes sou eu que me achego. Esses pastores eletrônicos falam muito e falam bem. Mas apenas falam!!! Outros falam e ainda “pedem” ou vendem algo, mas é seu pastor local, o GOL de todo dia, que te escuta e cuida. Por melhores que sejam os AUDI virtuais, você jamais receberá deles uma visita, ou poderá chama-lo para uma reunião de oração doméstica. Eles são quase inacessíveis à massa. Só apascentam líderes. O povo tem que admirá-los só de longe.

Andar de limusine é inesquecível, mas elas são apenas para os grandes eventos, para serem eternizadas nas fotografias. Quem vai mesmo participar de suas alegrias e construir sua história, te carregar para a maternidade, te levar na praia pela primeira vez, buscar seus filhos na escola e socorrer um amigo estragado é o super GOL quadrado, que segura as suas pontas, que geme muitas vezes debaixo da sua desamorosa espora. Ao invés de “colar” nele quatro argolas de plástico, dê a ele amor, respeito, cuidado e obediência.

Não pregue um emblema de plástico no seu GOl. Isso o desmerece e o desonra. Se ele for muito aquém do que você sonhou, seja coerente: faça uma gorda poupança e compre um AUDI. Se não der, cuide do seu GOL, ame-o e louve a Deus porque ele é sua grande bênção. Jesus andou algumas vezes de barco (emprestado), jumentinho (emprestado), mas ganhou o respeito e o mundo andando a pé. A maior igreja do Brasil – Assembleia de Deus – tem alguns AUDI com certeza, mas a grande maioria que a frutifica e alcança o país de norte a sul anda mesmo é de GOL, MOTO, BICICLETA, ÔNIBUS ou mesmo A PÉ.

Detalhe: O GOL, o UNO e o FUSCA são os três carros mais vendidos e mais amados no Brasil em 60 anos, porque funcionam e cumprem o propósito para o qual foram criados.

Graça e Paz

                                                                                                              Pr. GOL Sérgio de Oliveira Campos.