“…Porque clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem. E tu, levanta o teu bordão, estende a mão sobre o mar e divide-o, para que os filhos de Israel passem pelo meio do mar em seco”
Êxodo 14:15-16

Dias atrás eu assisti parte do Filme “Os Dez Mandamentos”, um drama bíblico de 3h40min de duração. Precisa-se de tempo para ver a totalidade desse épico da indústria cinematográfica, gravado exatamente no ano em que nasci – 1956. Olhando o número de figurantes, os cenários imensos e a quase inexistência dos recursos de computação gráfica, temos que reconhecer que foi uma grande obra.

É uma narrativa da vida de Moisés desde que foi encontrado no rio Nilo, até sua chegada na Terra Prometida. As cenas recriadas da saída do povo hebreu nos dão uma ideia do imenso desafio vivido pelos israelitas e revivido pelos artistas e figurantes no filme. O ponto alto do filme, sessenta anos depois, continua sendo a cena da abertura do Mar Vermelho.

                No filme a abertura do mar é instantânea. Moisés levanta seu bordão, e as águas se abrem criando um caminho seco, permanecendo como muros ladeando o passar da multidão. Na descrição de Êxodo 14 a abertura do mar resulta de uma associação de fatores:  É começo da noite; Deus manda que o povo marche, com o mar ainda adiante deles; e ordena que Moisés divida-o; o anjo de Deus e a nuvem que iam adiante se retiram para a retaguarda (dificultando a aproximação dos egípcios) e durante aquela noite permaneceu o impasse – os egípcios não se aproximaram e os hebreus não avançaram. E o verso 21 descreve o milagre: Moisés estendeu a mão sobre o mar, e O SENHOR, através da ação de um forte vento oriental que soprou DURANTE TODA AQUELA NOITE, fez com que o mar se abrisse viabilizando um caminho.

                Não foi Moisés o autor da proeza, nem o milagre foi algo instantâneo. O povo naquela madrugada não dormiu; Moises levantou sua mão conforme ordenou o Senhor; o anjo e a nuvem atrasaram o inimigo, enquanto o vento do Senhor trabalhou toda a noite, até que o caminho fosse criado para a travessia. Ao raiar o dia, o caminho estava aberto, o inimigo sob controle, e o povo passou.

O momento é de impasse: São 400 anos de escravidão no Egito, e agora, em direção à liberdade, eles lutarão contra o retrocesso (tentação de voltar) e as muitas barreiras que fecham os caminhos em direção às promessas de Deus. Na história bíblica o Mar Vermelho não foi o único obstáculo no novo caminho dos hebreus. Viver passou significar lutas e desafios todo o tempo. Problemas e crises nasciam junto com o sol.

A ordem de Deus ao povo naquela noite foi substituir “clamores e temores” por oração, e que marchassem em direção a um mar ainda fechado. Retroceder nem pensar, pois atrás estava o exército egípcio. Um impasse… e portas fechadas. O povo deveria dar “passos por fé” enquanto seu líder deveria agir em nome de Deus, abrindo o mar. Oração, anjos, liderança e natureza se articularam, e o caminho brotou pela manhã.

Na escravidão se vive a desesperança e falta de possibilidades. Nos impasses, podemos experimentar de Deus e conhecermos a profundidade da fé daqueles que decidem seguir um caminho sobrenatural. Como diz o cântico: “Se diante de mim, não se abrir o mar, Deus vai me fazer andar por sobre as águas”. Mas vamos adiante.

O anjo de Deus naquela noite mudou de posição nesse momento do confronto. O mundo espiritual e o físico se mobilizam para participarem das nossas batalhas. Se hoje vamos dar passos de fé contra poderosas fortalezas, precisamos de mãos estendidas, jejum e oração, e fé em Deus que as coisas darão certo. Os pés dos hebreus tiveram que pisar o caminho seco. Deus não os teletransportou magicamente para o outro lado. Nossa parte é orar, esperar, confiar… e na hora certa AGIR.

 Sem oração, o vento de Deus não sopra. Enquanto Moisés segurava o bastão ele intercedia, e por fé avançaremos sobre os mares fechados, contando ainda com os anjos em nossa retaguarda.

Deixemos os clamores e uivos para lobos e coiotes na lua cheia.

Nós sempre avançaremos por fé.

                                                                                                              Pr. Sérgio de Oliveira Campos