“Depois destas coisas, olhei, e eis não somente uma porta aberta no céu, como também a primeira voz que ouvi, como de trombeta ao falar comigo, dizendo: Sobe para aqui…” Apocalipse 4:1

Hoje, ao abrir meu whatsapp, eu me deparei com essa discreta mensagem, que muitas vezes aparecem nos grupos a que pertencemos: Lindalva-SC saiu.

                A saída de Lindalva não era esperada. Em 20 anos de convívio isso ainda não havia sido cogitado.  Não nos imaginávamos sem ela. E de repente, ela encerrou sua “participação no Grupo” e saiu da nossa história terrena. Deixar o GRUPO será sempre uma dura experiência para a família, a Igreja e os amigos.

Nunca estaremos preparados para lidar com a morte. Tal como uma amputação, somos arrancados do convívio e dos vínculos, e a ferida aberta sangra abundantemente. Precisamos de cuidado e de tempo. A mente precisa se acalmar para dar os próximos passos tão difíceis, mas necessários. O luto é um tempo de cicatrização.  

O que vivemos nestes dias é a mesma história pela qual tantas pessoas antes de nós já passaram e que outras no futuro também passarão. Fomos atingidos pelos ventos da fatalidade, que ainda perdurarão até o final dos tempos. Continuaremos a perder aqueles que amamos nos outros dias que virão. Podemos retardar ou suavizar esses momentos, mas não temos como passar pela vida sem vivenciarmos essa experiência. Choraremos outras vezes.

Os problemas fazem parte da vida. Nesta existência estamos sujeitos aos abalos, transtornos e tumultos. Mas Deus é socorro, é conforto e também nossa esperança. Ele é nosso refúgio e fortaleza. Cremos que Lindalva agora está realmente em paz e descansa de suas lutas nesses dias de UTIs, antibióticos e agulhas. Compete a nós regarmos as sementes que plantou e darmos sequência à sua história, um precioso legado que ela nos confiou.

Lindalva marcou-nos com sua vida. Por isso sentimos sua morte. Quando fechamos os olhos podemos encontrá-la sempre disposta e disponível, Bíblia na mão, e uma alegria que não vinha dos homens. As vezes sorria; outras vezes chorava; muitas vezes as duas coisas juntas. Tinha uma imensa alegria no cantar, no visitar, no dirigir suas células ou no redigir suas atas. Sonhava fazer missões ora no Barco do Rio Amazonas, ora em alguma tribo indígena.  

Lembrarmos dela no trabalho ou no convívio nos inspira e ajuda-nos a suavizar o peso deste momento. A dor foi grande porque o amor dado e recebido nesses anos foi intenso e imenso. Assim testemunhamos como igreja e família: valeu a pena a comunhão durante esse tempo. E no final de tudo, Deus sempre foi louvado. Não será diferente desta vez.

Nestes dias aflitivos e turbulentos Deus sempre se faz presente como um “vento”. Mesmo que não possamos vê-Lo fisicamente, Ele gera uma atmosfera de calma e consolo em torno de nossas vidas doloridas. Esse Espírito Santo de Deus optou por habitar nos homens. Assim, percebemos Sua presença quando cercados e amados por tanta gente preciosa, em cujo coração Deus habita.

Jesus, pouco antes de enfrentar a cruz, pediu aos seus discípulos que estivessem com ele. A cruz não foi desviada do seu caminho, mas um pouco da agonia podia ser compartilhada por aqueles com quem convivia. Dores são intransferíveis, mas ficam suportáveis quando os amigos e irmãos se colocam ao nosso lado, tal como Deus enviou um anjo quando Jesus transpirou sangue em sua agonia.

Muito valioso esse amor recebido de Deus por intermédio desses anjos em forma de família, amigos ou Igreja, além das orações incessantes que, temos absoluta certeza, serão todas respondidas por Deus um dia.

E como ficarão as coisas agora?

Estamos navegando na mais absoluta dependência de Deus. E Ele, que sempre foi Senhor, manifestará sobre todos nós Sua boa, perfeita e agradável vontade.

Deus é bom!  Deus nos ama! É isso que temos a dizer da vida que tivemos, de tudo o que passamos nestes dias e naqueles que ainda estão por vir.

                A todos, de perto e de longe, que caminharam conosco e suavizaram esses dias, nossa gratidão e nosso carinho.

                Muito louvor, muita gratidão… e imensas saudades!

Pr. Sérgio de Oliveira Campos