“Disse o rei a Aspenaz que trouxesse alguns dos filhos de Israel, tanto da linhagem real como dos nobres, jovens sem nenhum defeito, de boa aparência, instruídos em toda a sabedoria, doutos em ciência, versados no conhecimento e que fossem competentes para assistirem no palácio do rei e lhes ensinasse a cultura e a língua dos caldeus”. Daniel 1:3-4

                Tem gente que acha que o mundo mudou, mas o texto acima tem 2.600 anos que foi escrito. Desde aquele tempo que a cultura do mundo valoriza o que é nobre (e não plebeu); aqueles que são jovens (velhos, não); que são fisicamente perfeitos(deficientes ou fora do modelo, também, não); sejam bonitos (feios, em hipótese alguma); precisam ser instruídos (nível superior, com pós-graduação); precisam ser entendidos em ciência e tecnologia (não se aproximem sem qualificação profissional), e que sejam competentes (não precisam ser honestos; precisam ser espertos e inteligentes). Para esses se abrem as portas e as oportunidades. Quem não se enquadra nessa peneira fina dos predicados humanos, ficará sempre no submundo da vida.

                Tempo é dinheiro. E não vamos perder tempo com quem é pobre, analfabeto, velho, negro ou portador de necessidades especiais. Por isso cresce o lixo do mundo, seja de coisas ou de pessoas. Aliás, não invista tempo em lixo. Escolha sempre o novo e o inteiro.

                Preciso buscar meu espaço. Preciso me esforçar para ficar no palácio. Por isso temos que tirar as rugas, colocar silicone, pregar unhas e cílios falsos, encher-se de músculos produzidos sem trabalho, tudo para sair da “bacia das almas” e entrar nesse mundo exigente e competitivo da Grande Babilônia. E como dizia um “poeta” brasileiro nocivo: “que perdoem as feias, mas a beleza é fundamental”. E eu pergunto: Fundamental para quê? Para ter lugar no palácio e aproveitar que seus muros altos deixem a grande massa longe da sua vista. E não descuide das rugas, senão vai ser trocado pelo mais novo. E enquanto todos vão entrando nesse circuito padrão do mundo, tudo vai se tornando comum, plastificado, pasteurizado e cheio de botox.

                É preocupante esta nova perspectiva da grande Babilônia. Quem vai querer e amar os que nunca se encaixaram no padrão, ou saíram dele pelas circunstâncias da vida? Cada vez mais o padrão mundano dessa Babilônia vai ficando com menos gente, e o padrão da ralé, dos pobres, imigrantes, analfabetos e refugiados vai crescendo assustadoramente. Enquanto poucos ganham muitíssimo, um montão de gente ganha pouco…ou mesmo nada. Desde a Babilônia, eles não teriam chance de ter outra história. Palácio é apenas para alguns poucos privilegiados.

                Jesus tinha um padrão diferente. Os religiosos do seu tempo diziam que a “plebe era maldita”, e que o sofrimento dos miseráveis era castigo de Deus. Jesus retruca dizendo que os sãos não precisam de médico, e sim os doentes. Seu público alvo eram publicanos e pecadores. Andava com quem não tinha o valor dado pelos padrões de Babilônia. Não acumulou bens; não priorizou o dinheiro; andava a pé. Na Babilônia certamente ele não atenderia seus requisitos. Tenho certeza que Nabucodonosor o deixaria “de fora” dos escolhidos.

                A graça divina tem mesmo outro padrão. Na parábola da “Grande Ceia” Jesus disse que um homem preparou um grande banquete e convidou muitas pessoas. Com tudo pronto enviou seu servo a chamar seus convidados: “Venham, pois tudo já está pronto”. Mas eles começaram, um por um, a apresentar desculpas. “Acabei de comprar uma propriedade, e preciso ir vê-la”. Outro disse: “Acabei de comprar uns bois e estou indo vê-los”. Ainda outro disse: “Acabo de me casar; não posso ir”. O servo voltou e relatou isso ao seu senhor. Então o dono da casa ao saber disso irou-se e ordenou ao seu servo: “Vá rapidamente para as ruas e becos da cidade e traga os pobres, os aleijados, os cegos e os mancos”. Seu banquete não tinha ninguém da lista de Nabucodonosor. Os palacianos não entendem os parâmetros de Deus, e por isso, com toda certeza, estarão dentro dos palácios e privilégios, mas fora do Reino e da vida eterna.

                Se você se sente fora do mundo e deslocado na vida, tenho um convite:

Bem-vindo, bem-vinda ao banquete de Jesus.

                                                                       Pr. Sérgio de Oliveira Campos