(1) “Palavra que falou Jeremias, o profeta, a Baruque, filho de Nerias, escrevendo ele aquelas palavras num livro, ditadas por Jeremias, no ano quarto de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá, dizendo: (2) Assim diz o Senhor, Deus de Israel, acerca de ti, ó Baruque: (3) Disseste: Ai de mim agora! Porque me acrescentou o Senhor tristeza ao meu sofrimento; estou cansado do meu gemer e não acho descanso. (4) Assim lhe dirás: Isto diz o Senhor: Eis que estou demolindo o que edifiquei e arrancando o que plantei, e isto em toda a terra. (5) E procuras tu grandezas? Não as procures; porque eis que trarei mal sobre toda carne, diz o Senhor; a ti, porém, eu te darei a tua vida como despojo, em todo lugar para onde fores”.

O capítulo 45 tem apenas cinco versículos. Uma mensagem completa.

Tudo será diferente antes e depois desse capítulo no Livro de Jeremias

Por que essa pausa na narrativa do profeta?

Simples de se compreender: Deus deseja responder de forma objetiva a sentimentos e palavras que Baruque disse a si mesmo ou conversando sozinho com Deus. Nossas palavras e sentimentos nunca passam desapercebidas àquele que, segundo o Salmo 139 já conhece todas as palavras antes que nenhuma delas tenha sido pronunciada. 

Como escriba e amigo fiel de Jeremias, Baruque está vivendo todas as dificuldades do ministério do profeta, paralelamente às dores do cerco de Jerusalém – o sofrimento pela falta de alimentos, da mortandade por doenças advinda da fome e da aglomeração dentro da cidade devido ao cerco. As perspectivas não são nada alentadoras. Jeremias já revelou o desfecho: a cidade cairá; será saqueada e queimada; quem não morrer de fome ou doença está destinado à espada ou deportação.

E de repente, Baruque se queixa que Deus acrescentou tristeza ao seu sofrimento. Para alguns, essas palavras parecem ser a mesma coisa, mas poderemos ter sofrimento com ou sem tristeza. Quando vou ao dentista, eu sofro, mas não me entristeço, pois as dores são para minha cura. Sairei melhor do que entrei.

Há também pessoas que tem tristeza sem sofrimento. A tristeza chega sem causa, como uma nuvem cinza que cobre o dia. Ele simplesmente está triste, mas não sabe a razão. Outros têm sofrimento por uma série de situações, mas não tem tristeza. Paulo e Silas foram açoitados e presos na cidade de Filipos. Muitas dores, muita injustiça, mas à meia noite eles decidem “cantar”. Podemos atravessar crises sem perder nossa alegria. Mas se as crises que atravessamos também nos abatem a alegria, entramos no drama de Baruque: tristeza acrescida ao sofrimento.

A resposta de Deus a ele, inicialmente, deixa claro que não é apenas Baruque que está atravessando um tempo difícil. Deus lhe diz que está “mexendo” na terra. Tal como nos dias de hoje, há algo acontecendo em todo o mundo. O sofrimento e as tristezas estão presente por todo lugar. Há coisas que Deus permitiu porque precisam ser mudadas na história dos homens. E essas dificuldades causam muita dor e sofrimento.  

O resumo daqueles 23 anos de alertas proféticos a Israel e Judá deixou bem evidente o duro remédio a ser ministrado contra apostasia. Não havia outro caminho. Jerusalém e o templo seriam destruídos, Judá seria exilado por 70 anos, para que um recomeço “do zero” pudesse acontecer. Não havia o que reformar. Tal como eu e você estamos atravessando os sombrios dias da pandemia, nós não seremos retirados para um universo à parte até que passe a calamidade. Eles estavam no contexto dos juízos. Deus não os excluiria dessas dores.

Certamente essa Palavra abalou Baruque, que desde o princípio se colocou ao lado do Profeta perseguido e rejeitado. O próprio Deus reafirma Seu propósito para Baruque naquele momento por vir: “Eis que estou demolindo o que edifiquei e arrancando o que plantei, e isto em toda a terra.” (verso 4). Não é apenas em Jerusalém que Deus está interferindo na história.

E finaliza sua Palavra a Baruque com este conselho: “E procuras tu grandezas? Não as procures; porque eis que trarei mal sobre toda carne, diz o Senhor; a ti, porém, eu te darei a tua vida como despojo, em todo lugar para onde fores”. (versos 4-5). Não procurar “grandes coisas” significava que suas expectativas estavam fora da “real”. Não haveria milagres. A dura cirurgia aconteceria para a cura do doente. Mas Deus lhe assegurou que seu maior bem seria preservado – sua vida. Essa lhe seria dada como troféu de luta.

Deus está fazendo algo em toda a terra. Não tenho a menor sombra de dúvida. Confio no cirurgião. Precisamos da cura.

Seguirei em frente e confiarei.

Minha vida -terrestre ou eterna – em Jesus – já está assegurada.                                                                                     Pr. Sérgio de Oliveira Campos