“Palavra do Senhor que veio a Jeremias dizendo: Dispõe-te, e desce à casa do oleiro, e lá ouvirás as minhas palavras. Desci à casa do oleiro, e eis que ele estava entregue à sua obra sobre as rodas” – Jeremias 18:1-3

                Naquele dia Deus desejou falar com o profeta Jeremias. Deus não complica seu falar, mas nem sempre entendemos o que Ele nos deseja revelar. Deus pode falar conosco em qualquer lugar, mas naquele dia ele pede a Jeremias que se desfaça das suas rotinas. Deixe tudo aí – e desça à casa do oleiro. Lá falarei contigo.

Deus está sempre querendo falar conosco. Preste a atenção em Sua voz. Por certo, num dia como esse, você O ouça no coração dizendo: Vá a igreja… vá conversar com seus pais… vá na casa de seu amigo… eu tenho algo para dizer-lhe…!

Como Deus fala conosco?”- Essa é uma pergunta que muitos fazem.

De muitas formas Deus fala aos homens. O vemos na história Ele usando a Palavra e as circunstâncias para se fazer compreender. Nesse caso específico, Ele tira Jeremias de casa para falar com ele. Naquele dia a orientação do Senhor usou dois verbos – duas ações conjugadas: DISPÕE-TE e VAI

Aqui temos um bom começo de diálogo com Deus: nossa disponibilidade. Falamos muito, mas nem sempre estamos abertos para ouvi-Lo. Já temos nossas ideias e conclusões definidas. Muitas pessoas me procuram em busca do que fazer, mas lá no íntimo elas já tem a sua decisão tomada. Querem apenas que eu lhes diga aquilo que já decidiram. Dispõe-te significa ir até Deus com “abertura e motivação” para ouvi-Lo.

O Senhor conduz Jeremias a uma olaria, um lugar onde objetos de barro são moldados e depois de cozidos se tornam utensílios uteis na vida dos homens. O barro não escolhe sua forma, nem sua função. Isso sempre está na mente e nas mãos do oleiro. O barro sem o oleiro é apenas “barro”. Somente quando tratado pela mão do oleiro, ele se torna um objeto útil para um propósito.

E Jeremias atendendo a voz de Deus, está ali, vendo o oleiro em seu ofício: De repente, algo inesperado acontece: “Como o vaso que o oleiro fazia de barro se lhe estragou na mão…” (Jr.18:4) – A narrativa é bem nítida: O vaso SE LHE ESTRAGOU nas mãos. Não é o oleiro que danificou o vaso. Aliás, Deus nunca nos estraga. O barro que chega nas mãos do oleiro sempre traz imperfeições misturadas nele. São pedras, raízes ou tocos que precisam ser removidos antes da modelagem. Tais impurezas tornam a construção do vaso sempre um risco de se danificarem, mesmo estando NAS MÃOS do oleiro.

                Mas a conversa de Deus com Jeremias não acabou aqui na perda do vaso. Ele continua a observar o Oleiro e o vaso danificado: “Como o vaso que o oleiro fazia de barro se lhe estragou na mão, tornou a fazer dele outro vaso Segundo bem lhe pareceu” (Jr. 18:4)

Somente na presença de Deus – nosso Oleiro – temos a revelação exata sobre a situação dos vasos que somos, pois ele sabe a razão dos nossos estragos. Vasos podem se danificar quando resíduos antigos ainda persistem no vaso moldado. Eles criam brechas que tornarão o vaso inapto a ser usado. Outra causa é quando ele sofre uma queda proposital ou inesperada, e se faz em pedaços. Temos no mundo milhares de vasos mutilados por aqueles que deveriam cuidar deles. São vasos de todas as idades, quebrados pelo pecado de quem não os amou e cuidou.

Deus prossegue sua aula com o profeta. Vasos que se quebram precisam ser desfeitos antes de serem refeitos. Não é fácil ser desfeito. Mas é necessário…! Deus não remonta ruínas. Vidas em escombros nas mãos dos homens tem outro destino: viram “lixo”.

Jeremias percebe com clareza que o oleiro não descarta e nem remenda suas obras. Ele faz novos os vasos que se lhe estragaram nas mãos. O mundo desvaloriza e refuga tudo que tem cicatrizes. Deus perdoa e faz das vidas que erraram histórias completamente novas.

         Nas mãos de Deus sempre se tornam obras primas sem cicatrizes.

                                                                                    Pr. Sérgio de Oliveira Campos