“Havia em Jerusalém um homem chamado Simeão, justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele. Revelara-lhe o Espírito Santo que ele não passaria pela morte antes de ver o Cristo do Senhor. Movido pelo Espírito Santo foi ao templo, e quando os pais trouxeram o menino para cumprirem as ordenanças da lei, Simeão o tomou nos braços e louvou a Deus dizendo:Agora, Senhor, podes despedir em paz teu servo, porque os meus olhos já viram a tua salvação, a qual preparaste diante de todos os povos: luz para revelação aos gentios e para a glória do povo de Israel” –  Lc. 2:25-32

O NATAL DE SIMEÃO

É Natal.

A cidade está apinhada de carros e pessoas pelas ruas. Para todos os lados, lojas e ambulantes disputam as últimas horas e moedas daqueles que estão à procura de um Natal bom ou remediado. Gente de olho nas caixas de uva, aves ou panetones. Sacolas e pacotes amontoados em pessoas parecem indicar que acharam uma boa oferta para incrementar seu Natal. Alguns repartem votos de “feliz natal” entre amigos e conhecidos. A maioria quer desacelerar as vésperas do natal, para que as festas e ceias natalinas não os alcancem exaustos. Estes dias são mesmo muito agitados.

Simeão estava também ansioso há muito tempo por causa do Natal. Tal como as crianças ansiosas, ele esperou pelo Natal durante toda a sua vida. Havia uma promessa de Deus que ele participaria do primeiro Natal da história – ele vivenciaria o nascimento do Cristo.

Diferentemente das pessoas de hoje, Simeão não vagou pelos shoppings e supermercados; não fez uso do cartão de crédito, nem enfeitou sua casa com árvores, bolas e velas. Sua rotina não mudou naqueles dias. É provável que a espera pelo Natal acontecera de forma natural, todos os dias, toda a vida. Diariamente Simeão fazia um trajeto rápido até o templo, e aguardava pelo Natal. E quando Jesus surgiu no templo, cumprindo a promessa da vinda do “Messias”, ele não veio de trenó “afogado” no meio dos presentes; veio trazido por seus pais, e não por “papais Noeis” de barba falsa; a cidade estava iluminada não por lâmpadas chinesas e decorações, mas uma estrela que ainda intriga a ciência até hoje, e que marcou o céu daquela noite, e um punhado de anjos de verdade (não chineses) cortaram o silêncio da noite e cantaram a Boa Nova aos homens.

Mas o Natal mudou muito com o tempo. Foram acrescentando uma coisa aqui, outra ali, e de repente, muita gente perdeu de vista o sentido desta celebração. E em meio a tantas adições e sofisticações, Jesus vai ficando esquecido em algum canto da sala, engessado em algum presépio seco e morto, enquanto a figura mitológica do “bom velhinho” rouba a cena e o sentido verdadeiro do natal.

A receita do natal de Simeão ainda é infalível: saia de casa e vá ao templo. Vá às reuniões de terça ou Quinta; vá às reuniões aconchegantes das casas e das vigílias; não precisa de chester, castanhas, bebidas, nem de presente de amigo secreto. De repente – olha ele por lá se manifestando e alegrando os corações como fez com o de Simeão. Você não o verá mais como um bebê indefeso, mas como um homem experiente e vencedor, glorificado por Deus, que atravessou a vida, saindo dela por uma cruz. Do túmulo ele ressurgiu e permanece para sempre como Rei dos reis e Senhor dos senhores.

Ele pode ser achado em qualquer lugar e qualquer dia.

Com Ele, todos os dias são felizes e plenos, inclusive o dia de Natal.

Feche os olhos e veja-o!

                                                             Pr. Sérgio de Oliveira Campos