UMA BUSCA INCESSANTE

“E perguntaram-lhe: onde está o recém-nascido Rei dos judeus?  Porque vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-Lo “ –  Mt. 2:2   OLHO

                Esta foi a interrogação dos três magos ao chegarem a Jerusalém em busca de Jesus recém-nascido.

                ONDE ESTÁ? – perguntaram eles com sinceridade de quem andou muito à procura desta resposta. Afinal, se sua estrela apareceu no céu, ela indica que ele se encontra em algum lugar na terra! Natal é isso: algo que só podia ser visto no céu, podia ser visto e encontrado na terra. Foi Deus que se fez homem e veio até nós.

                Desde os tempos remotos colocam-se os deuses em lugares inacessíveis aos homens. É o caso dos gregos, que colocaram suas divindades no Monte Olimpo, a montanha mais alta da Grécia. Algumas divindades pagãs nunca deixavam o céu, e aos homens só chegavam seus castigos. Outros confinavam-se em templos suntuosos, cercados por muros e sacerdotes intransponíveis. Eram exigentes quanto às oferendas e renúncias, e tornavam-se adorados mais pelo medo do que pelo amor dos fiéis.

                Por estas e outras é que os magos foram procurar no palácio do injusto e opressor Herodes. E por serem magos (e não homens comuns como o povo), contavam com o privilégio de serem recebidos por Herodes e visitarem o menino.

                Mas se enganaram! Apesar de terem visto a sua estrela, e entendido seu significado, eles foram procurar Jesus onde, humanamente, achavam que ele estaria. Na visão dos magos, um filho de Deus não se misturaria com homens.            

                Muitos hoje repetem o mesmo erro dos magos. São sensíveis aos sinais de sua presença com os homens, e desejam sinceramente uma experiência pessoal com ele, mas saem à sua busca procurando descobri-lo nos santuários ou catedrais; perdem de vista a sua estrela, ofuscada pelo brilho de tantas falsas luzes que se insinuam pelo céu à busca da fé e dos presentes dos magos do século 21 e nesta peregrinação em busca da verdade acabam perdidos em meios às melhores intenções.

                E afinal de contas, onde se encontrava Jesus?                                                                

Não foi na capital, Jerusalém, como se esperava, mas numa cidade pequenina chamada Belém; não foi no palácio de Herodes como mandaria a etiqueta, mas num estábulo de pensão barata; não rodeado de luxo e pessoas ilustres, mas deitado num coxo de alimentação e cercado de animais domésticos. Era tudo tão simples que se poderia até duvidar que Deus estivesse envolvido numa coisa daquelas; que aquele menino talvez fosse mesmo Deus que se tornou homem e desceu até eles. Esta é uma das dificuldades de se entender Jesus. Ele está tão acessível, tão próximo, que as pessoas acabam por não encontrá-Lo, como fazem quando seus olhos não conseguem enxergar seu próprio nariz de tão perto que se encontra.

                Nesta busca de Jesus pelos magos fica-nos um alerta. Ele ainda é o mesmo do estábulo de Belém, e se deixa achar por todos que O buscam. Sua estrela hoje se chama Espírito Santo, enviado por Deus para guiar os homens a toda verdade. Este sinal pode ser percebido do oriente ao ocidente, dentro ou fora dos lugares sagrados, 24 horas por dia, 365 dias por ano.

Basta que haja vontade.

                Encontrá-Lo é muito mais simples do que parece.

                                                                       Pr.  Sérgio de Oliveira Campos