“Alegrem-se sempre no Senhor. Repito: alegrem-se! (Fp 4:4)”

Certa vez ouvi sobre a árvore mais isolada do mundo. A árvore do Ténéré, uma acácia, era uma árvore situada em um país chamado Níger. Era a única árvore em um raio de algumas centenas de quilômetros. Na década de 1970 foi morta após uma colisão com um caminhão. Mas, enquanto vivia, era um marco geográfico chegando a ser representada em mapas rodoviários do país. Era ponto de referência em meio a monotonia das areias do deserto do Saara. Michel Lesourd, um comandante militar dos aliados durante a segunda guerra mundial, disse: a pessoa tem de ver essa árvore para acreditar na sua existência. Qual o seu segredo? Nessa mesma época um poço foi cavado, nas imediações, e foi descoberto que suas raízes chegavam a 36 metros e atingiam o lençol freático. Esse era seu segredo: profundidade das suas raízes. Antes, na região, havia uma floresta, mas com o aumento da sequidão ela foi a única restante.

Todos neste planeta enfrentam dificuldades. Como disse o apóstolo “tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo, espada (Rm. 8:35)”. Os tempos de sequidão alcançam a todos: pobres e ricos, cristãos e ímpios. Por outro lado, a bíblia diz que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus (Rm. 8:28). Precisamos ter onde encontrar o consolo e a esperança.

Quando há chuva, irrigação e abundância de água nas proximidades tudo germina e floresce, mas quando as circunstâncias são secas, permanece vivo apenas o que tem raízes em um suprimento de águas que não são visíveis.

Somos convidados para uma renovação da nossa fonte de suprimentos. Dependência menor nas circunstâncias, das águas da superfície; dependência maior na esperança futura da glória do nosso Senhor e do reino que ansiamos. Alegria apoiada na glória de Deus, na esperança da glorificação, na vida em outro mundo, no amor infinito de Deus derramado na cruz, naquilo que “nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1 Cor 2:9), no eterno poder e divindade de Deus. É a certeza de que Deus provê seus filhos e que Ele é um bom pai e não dá pedra a quem pede pão. É a confiança de que somos cuidados e amados mesmo quando a resposta de oração não é a que esperávamos. É a convicção de que nenhuma aflição nos separará do amor Dele (Rm 8:35)

Jesus propõe que ele seja o pão e a água, a fonte de todo o suprimento, alegria e esperança. Nem sempre os que estavam por perto entenderam a dimensão desse suprimento que ele queria dar. Cristo ofereceu “água” a uma mulher samaritana (João 4) e ela achou que Ele falava de água comum, de beber. Jesus alimentou uma multidão com pão e depois os confronta dizendo que a multidão só está com ele porque comeram até se fartarem. Além de provisão material (alimento físico), Jesus tem para nós uma provisão celestial baseada na esperança de participarmos da glória futura. É o alegrar-se por tudo que Ele nos dá mas (principalmente) alegrar-se Nele, em quem Ele é, em Sua glória, em Seu esplendor, em Seu infinito amor.

A história de Paulo e Silas no cárcere nos exemplifica uma situação de circunstâncias áridas (açoitados e presos injustamente) em que a satisfação não vinha do que acontecia em volta. Diz Atos 16 que, por volta da meia-noite, eles cantavam e oravam e ninguém podia deixar de escutá-los. Que a graça de Deus nos permita depositar toda a nossa confiança e satisfação Nele e que dia após dia sejamos renovados em nosso modo de pensar.

Todas as árvores morreram quando a água em volta sumiu, menos a árvore de Ténéré. Quando as circunstâncias são difíceis alguns ficam pelo caminho e só sobrevive aquele que tem raízes profundas o bastante para chegar na fonte de vida. “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei (Mt11:28)”. Confie no alívio de Cristo, na satisfação encontrada por estar contido Nele. Independente das circunstâncias Ele é a fonte da vida. “Peçam, e receberão. Procurem, e encontrarão. Batam, e a porta lhes será aberta. Pois todos que pedem, recebem. Todos que procuram, encontram. E, para todos que batem, a porta é aberta (Mt7:7-8)”.

Que o que Jesus ensina possa orientar a nossa busca:

– Jesus respondeu: “Eu lhes digo a verdade: vocês querem estar comigo não porque entenderam os sinais, mas porque lhes dei alimento. Não se preocupem tanto com coisas que se estragam, como a comida, mas usem suas energias buscando o alimento que permanece para a vida eterna, o qual o Filho do Homem pode lhes dar. Pois Deus, o Pai, colocou em mim seu selo de aprovação”. (João 6:26,27)

Autor: Lucas Machado Barbosa de Lelis