“Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que hora viria o ladrão, vigiaria e não deixaria que fosse arrombada a sua casa”. – Mateus 24:43

                 De repente, a rotina da vida foi modificada. Após mais de cem anos que se trabalhou e falou sobre o assunto, aquilo que parecia tão improvável e fanatismo de um velho, aconteceu. O mundo foi inundado por uma chuva inesperada e nunca vista. Para quem não creu e não se posicionou a respeito, foi fim de linha. Para Noé, sua família e seus bichos, tudo agora seria uma grande novidade. Dali para frente tudo seria NOVO, e jamais DE NOVO.

Sem televisão, sem internet, o tempo deve ter passado lentamente. O povo de hoje teria morrido de tédio ou depressão. Naquela arca eles tiveram todo tempo para pensar sobre aquela situação. Então me peguei nesses dias de retomada das nossas rotinas pós pandemia, pensando no que teria passado pela mente de Noé e sua família durante aqueles quase 400 dias em que seu barco vagou por águas desconhecidas.  

Olhei essa imagem e, de repente, me imaginei dentro desse barco, no lugar de Noé, passando por toda aquela experiência – construindo a arca… pregando um juízo a caminho… e vivenciando uma chuva que caiu como nunca antes, cercado de muitos bichos e incertezas. Salvos do dilúvio, agora era flutuar, sem saber para onde, nem por quanto tempo… até chegar o próximo capítulo dessa história. De repente a arca pousa sobre um lugar muito distante – o monte Ararat. Enfim, eles saem dela para dar continuidade às suas vidas. Mas será que a vida continuaria da mesma forma?  

                Muita gente morreu no dilúvio: amigos, parentes, vizinhos e estranhos. Os sobreviventes teriam que recomeçar superando a perda de relacionamentos e convivências. Talvez questionassem: por que tantas pessoas tiveram que morrer? Foi uma decisão divina ou humana a morte daquela porção de pessoas?

Morreram adultos que não creram nas predições de Noé, mas morreram também crianças e jovens em consequência de escolhas de seus pais, e outros que sem sequer ouviram a pregação de Noé. Nem sempre as perguntas terão respostas satisfatórias. Um dia esse modelo mortífero de mundo finalmente será mudado.  

Certo é que culpados e inocentes continuam a morrer nas guerras, atentados e acidentes. No início do cristianismo a igreja sofreu com o martírio, permitido e usado por Deus. Carregamos um pensamento antigo de que a morte é um castigo para injustos, e a vida um prêmio final para os justos. Mas hoje ela atinge todos nós indistintamente, pois vivemos uma vida de morte todo o tempo. A ressurreição será para um novo começo.

Finalmente a chuva cessou, mas ainda não era tempo da volta à “normalidade”. As águas que cairam precisavam retornar ao circuito delas, e as condições para a retomada da vida cotidiana precisavam ainda de amadurecerem. A pressa dos passageiros em desembarcar de volta no mundo precisava estar no tempo de Deus. Precisamos de calma e paciência para aguardar o momento certo. O filho da “pressa” chama-se precipitação.

                Noé pregou uma ficção no seu tempo, e sua arca pareceu a paranoia de um velho caduco. O que ele previu nunca havia acontecido, e aquela geração se perdeu por falta de fé. A história ainda se repete HOJE. Estou aqui, como um velho obsoleto, falando da volta de Cristo e do arrebatamento da Igreja, que antecederá o início do Reino do Anticristo. E Tudo isso parece tão absurdo. Fim do mundo, Juízo final, parecem coisas tão improváveis. E de novo, muitos vão dizer que é a mais recente FICÇÃO dos últimos dias.

                Errar uma vez é humano… mas errar novamente… será burrice!

                                                                             Pr. Sérgio de Oliveira Campos