“Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe gostosamente o teu vinho, pois Deus já de antemão se agrada das tuas obras. Em todo tempo sejam alvas as tuas vestes, e jamais falte o óleo sobre a tua cabeça”. Eclesiastes 9:7-8

                Nesses dias de leitura bíblica coletiva, passamos por Eclesiastes, um livro que relata a experiência de vida de seu autor. No meu privado, alguém me perguntou sobre o significado de “vestes brancas” e “óleo sobre a cabeça”. Por trás de sua pergunta havia uma ideia de que prazer físico e espiritualidade pareciam valores incompatíveis.

                O autor – já idoso – oscila entre dois extremos. Nos apresenta um estilo de vida “carnal” no qual mergulhou, mas que o levou a um profundo vazio na alma e a uma vida completamente sem sentido. Ele proclama que todas as ações na vida são “vãs” ou “fúteis”, pois tudo o que vivem os sábios e os tolos tornam-se pó com a morte.

Eu e minha esposa conversamos a esse respeito, pois nos pareceu que quase tudo o que fazemos seriam formas de “correr atrás do vento”. Então cessemos de fazer – de ter vida sexual, de nos alegrar construindo ou reformando; não mais viajaremos ou compraremos o que nos agrade; pararemos os trabalhos artesanais, de ver filmes ou ouvir música; não mais capinaremos a chácara nem cortaremos a grama. Tudo isso são como riscos na água. E as perguntas foram: o que faríamos no lugar dessas coisas; o que fazemos está fora da vontade de Deus? I que viveríamos para que Deus também se agrade de nossa existência?

Salomão conhecia a Deus, mas confundiu o sentido da vida com o correr atrás do dinheiro e experimentar todas as formas de prazer. Não podemos nos esquivar de viver, mas sem perdermos de vista o propósito de estarmos no mundo, nem de comprometer a ética de Deus implícita no universo.

                O cristianismo na idade média “pecalizou” o prazer. De repente, aquilo que desse alguma forma de gozo ao corpo seria errado. Para agradar a Deus, teríamos que mortificar a carne, nos abstendo daquilo que nos desse alguma forma de prazer. Para servir ao Senhor no altar, passou a exigir-se a abstenção ao sexo e o voto de pobreza. Mortificar o corpo seria a única forma de escaparmos da escravidão das sensações pecaminosas.

Porém, o autor de Eclesiastes nos encoraja a “viver a vida”, endossando a sabedoria como meio para uma vida terrena bem vivida, pois, apesar da vida ser uma rotineira sucessão de fatos aparentemente sem importância, o ser humano deve aproveitar os prazeres simples da vida diária, como a vida conjugal, o comer, o beber, se orgulhar e desfrutar de seu trabalho, pois são presentes de Deus para essa vida.

Como o caminhar desenvolve-se sobre dois pés, participar da vida apoia-se sobre princípios inegociáveis: manter as vestes alvas (brancas, limpas) e a cabeça ungida com óleo, que une três SÍMBOLOS: pureza, santidade e alegria. Vestes brancas falam do revestimento espiritual que Deus dará aos que se mantêm livres da contaminação do mundo. O óleo representa a presença e a unção do Espírito santo de Deus sobre a nossa vida.

Os erros mancham-nos por dentro e por fora. Há “manchas” fáceis de remover; mas há outras que deixam nódoas definitivas. Somos percebidos através de nossas vestes. O que vivermos e fizermos se tornará o que nos cobre. Erros cometidos mancham nossa reputação. Mas Deus insiste em nos alvejar e clarificar. Cobertos pelo perdão somos reabilitados, e sem manchas, o óleo da alegria volta a ser derramado com abundância. Vestes brancas e óleo sobre a cabeça são sinais de uma alegria que só se obtém a partir da vida santificada.

Nada podemos realizar que agrade a Deus sem a presença do Espírito Santo. O óleo sobre a cabeça aponta para essa dependência, sendo Ele o centro de comando e consulta. O conselho do sábio é para manter o óleo sobre a cabeça em todo tempo, assim como a vestimenta branca. Óleo sobre a cabeça, fala de mudança da mente e de renovação da fé. Isto é, uma capacitação para tornar a “vida natural” uma oferta agradável a Deus.

Essa presença maravilhosa do sangue de Cristo e do Espírito Santo em nossas vidas nos tornam um poderoso instrumento nas mãos do Senhor.

Vestes alvas, e o óleo sobre a cabeça. Certeza que acharemos com santidade e alegria o real sentido da vida.

  Pr. Sérgio de Oliveira Campos