“Então veio o Senhor, e ali esteve, e chamou como das outras vezes: Samuel, Samuel! Este respondeu: Fala porque teu servo ouve” – 1Sm 3:10

                Há um certo tempo eu tenho acompanhando uma polêmica na internet onde afirmam que as plantas falam. Ainda que o conceito de falar esteja muito ligado à forma com que nós humanos nos comunicamos, eles defendem essa tese de que há comunicação entre vegetais, e que podemos conversar com eles, pois eles interagem conosco.

Utilizando uma linguagem ainda pouco conhecida, as plantas enviariam mensagens a outras plantas e ao meio ambiente. Segundo eles, pesquisas já comprovariam que as plantas podem aprender e recordar. Elas teriam uma vida secreta que os cientistas vêm se dedicando a entender e decifrar. Sabemos, por exemplo, que elas atraem os animais que são de seu interesse e usam artimanhas para repelir os indesejáveis. Busca-se nesse momento as formas dessa comunicação.

                Entre os que defendem a hipótese de que as plantas falam, muitos são cientistas, mas uma grande parte deles mesmos duvidam que Deus exista e que esse “Ser” possa se comunicar com os seres humanos por absoluta falta de provas.  

                Falaria Deus conosco?

                Como saber se é Ele quem estaria falando e quando estaria falando?

                A Bíblia nos relata acima o momento em que Deus fala pela primeira vez com Samuel. Já é a terceira tentativa Dele naquela noite em conversar com o profeta. Porém, a inexperiência em identificar a voz divina entre os sons que conhecia, fez com que Samuel, mesmo ouvindo a voz, não identificasse a sua procedência. Desta forma, ele pensou que a voz de Deus fosse do sacerdote Eli.

                Ouvir a voz de Deus é um desejo de tantos, e torna-se, por isso, a frustração de muitos. O aparente silêncio do Criador tem causado a sensação de que Deus não existe ou, se existe, não se importa com quem exista. Quem sabe até Ele se faça de surdo por ter restrições à nossa conduta – podem pensar alguns.

                A história bíblica revela que Deus esteve ali com Samuel, e falou-lhe várias vezes. O problema principal não estava na AUSÊNCIA ou no SILÊNCIO de Deus. Samuel não reconheceu-lhe o chamado, atribuindo a um ser humano a autoria daquilo que, na verdade era Divino. Entre as pessoas inexperientes, o erro pode acontecer também na direção contrária: Atribuir a Deus as vozes que são puramente humanas.

                O senhor está conosco sempre! Disse-nos Jesus: “E eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro consolador, afim de que esteja para sempre convosco” (Jo. 14:16). O Espírito Santo nos foi dado, e está presente permanentemente, falando de contínuo aos nossos corações. E nos fala de alguma maneira pelos sonhos, pela palavra lida ou ouvida; pelas circunstâncias, ou até mesmo pelas pedras na ausência de porta-vozes. Não há silêncio da parte de Deus.

                Naquela madrugada quando Samuel escuta a ainda desconhecida voz de Deus, o velho sacerdote Eli ensina-lhe algo importante: “Quando você ouvir novamente a voz, responda: “Fala, Senhor, porque o teu servo ouve”. Não há como ouvir enquanto se está a falar. Na ansiedade pela resposta nós falamos e cobramos tanto que não deixamos o Senhor falar. Quem deseja aprender a ouvir terá, antes, que aprender a calar.

                Há quem não identifique a voz de Deus porque ela diz coisas diferentes daquilo que Ele pensa ou gostaria de ouvir Dele. Muitos se perdem no tumulto da intranquilidade interna ou externa, e a voz do Senhor se dispersa nos ruídos. Outros, estão seguindo vozes humanas, vozes ditas iluminadas, do além, e nenhuma delas é a voz de Deus.

                Não sei se plantas falam, ainda que existam concretamente. E eu creio que Deus seja tão real como elas, e que o Senhor fala continuamente conosco! Preste atenção às linguagens presentes no seu contexto. Ouça essa voz que tem falado ao seu coração. Observe com atenção. Ele vem falando há muito tempo, e para iniciar o diálogo talvez esteja apenas esperando pela frase: “Fala, porque o teu servo ouve”.

                                                                                                              Pr. Sérgio de Oliveira Campos