“Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações. Portanto, não temeremos ainda que a terra se transtorne e os montes se abalem no seio dos mares; ainda que as águas tumultuem e espumejem e na sua fúria os montes se estremeçam”
– Sl. 46:1-3

                Em dias muito especiais para o Brasil e o mundo, temos ouvido nos telejornais notícias de internações, saturação de leitos de UTI, falta de oxigênio e de vacinas. Tudo isso abala cada um de nós que temos amor e respeito pela vida.

No último dia 18, a mídia local noticiou que um vereador de nossa cidade perdeu o pai vitimado por Covid-19, sendo que há oito dias, em 10 de fevereiro, ele havia perdido a mãe e o irmão no mesmo dia, em um intervalo de quatro horas. Eles também estavam internados em UTIs.

                Creio que cada um de nós teve suas rotinas emocionais fortemente agitadas nesses dias por dores e preocupações por dentro ou por fora de nossas vidas. Reconheço ser este um tempo novo para todos.  O que vivemos nesses dias é a história de tantas pessoas antes de nós e de outras que ainda virão. Fomos atingidos pelos ventos das enfermidades, e estamos sujeitos também a estarmos com a vida em risco, ou perdermos alguém que amamos nos dias que anda virão.

Ainda que a sensação inicial do Salmo 46 seja de abalos, transtornos e tumultos, o restante dele – parcialmente transcrito acima – também é real. Deus é socorro, é conforto e também nossa esperança. A fé é o único diferencial em tudo isso. As crises vêm sobre justos e injustos, mas a calma e a bonança apenas para os que têm uma madura relação com Deus.

Se não temos como fugir ou evitar as tempestades, o único caminho é atravessá-las. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento ajuda-nos a suavizar o peso destes momentos, e transpor as águas que insistem em tumultuar e espumejar. Aliás, não espero nada diferente das tempestades. Aprendemos mais com elas do que com as calmarias. Posso testemunhar individualmente – ou como família – esse cuidado e fidelidade de Deus durantes estes anos todos. E no final de tudo, Deus sempre foi louvado. Não será diferente desta vez e de outros tumultos que ainda virão.

Nestes tempos de turbulência Deus tem se feito presente. A Bíblia nos diz que, tal como um “vento”, Ele é Espírito. Mesmo que não possamos vê-Lo fisicamente, Ele se faz presente, gerando uma atmosfera de calma e consolo em nossas vidas. Mas o Espírito Santo de Deus optou por habitar nos homens. Assim, percebemos Sua presença também quando cercados e amados por tanta gente preciosa, em cujo coração Deus habita.

Em tempos difíceis é muito importante não se sentir sozinho. Lembrei-me de Jesus quando, pouco antes de enfrentar a cruz, pediu que seus discípulos estivessem com ele. A presença deles não desviou de Cristo o caminho do sofrimento, mas um pouco da agonia podia ser compartilhada por aqueles com quem convivia. Ainda que a dor seja totalmente pessoal, os amigos e irmãos se colocam ao nosso lado, tal como Deus enviou um anjo ao Getsêmani quando Jesus transpirou sangue em sua agonia. Seja por telefone, e-mail ou pessoalmente, é importante dar e/ou receber o amor de Deus por intermédio dos amigos e irmãos, além das orações incessantes que, temos absoluta certeza, serão todas respondidas por Deus.

Os médicos disseram ao vereador que “fizeram todo o possível”. Humanamente, sempre ouviremos em algumas situações que não há mais o que fazer. É hora, então, de abaixarmos os remos e nos deixarmos conduzir na mais absoluta dependência de Deus. E Ele, que sempre foi Senhor, manifestará sobre cada um que sofre e chora, Sua boa, perfeita e agradável vontade.

Deus é bom!  Deus nos ama! É isso que temos a dizer de tudo o que temos passado nestes dias e que ainda estão por vir.

                Com Deus tudo passa. No final, tudo se ajusta e acalma.

Mas sua companhia, irmão e amigo, é fundamental quando tudo treme.

àqueles que sempre estão conosco, de perto e de longe, nossa gratidão e carinho.

                                              Pr. Sérgio de Oliveira Campos