“…o que sai da boca vem do coração, e é isso que contamina o homem. Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultério, prostituição, furtos, mentiras, blasfêmias. São estas coisas que contaminam o homem…” – Mt. 15:18-19

Certo dia ouvi numa pregação a história de um navio chamado Pelicano. Ele é o navio mais indesejado do mundo. Desde 1986, quando zarpou dos Estados Unidos, ele segue errante pelos mares. Ninguém o aceita. Ninguém o quer.

O problema não é o navio em si. Embora enferrujado, esse cargueiro de 154 metros ainda apresenta boas condições de navegação. O problema não é sua documentação. Seus proprietários atualizaram sua licença e as taxas devidas foram pagas. O problema ainda não é a tripulação. Eles podem sentir-se indesejados, mas não são ineficientes. Então, qual é o problema do Pelicano? Qual é a causa de anos de rejeição?

A razão é que ele está cheio de lixo.

Carregado com cerca de quinze mil toneladas de lixo recolhidos na Filadélfia quando os trabalhadores municipais fizeram uma greve em 1986. O lixo foi crescendo nas ruas e se acumulando a cada dia. Os proprietários do Pelicano pensaram em ganhar um dinheiro fácil com o transporte dele. O lixo foi queimado e o navio foi carregado com as cinzas.

Daí em diante nasceu esta rejeição ao navio. Ele partiu para dar fim ao resíduo, mas não pôde fazê-lo no mar como previsto. Desde então, está à procura de um país que o aceite em seu território. Mesmo oferecendo vantagens financeiras ninguém quer sua carga. É uma grande quantidade de lixo muito antigo e potencialmente tóxico.

Existem corações humanos vagando pela vida como o navio Pelicano. Por razões da vida pessoal, aceitaram toda sorte de resíduos emocionais, altamente tóxicos, e daí em diante vagam solitários procurando quem os aceite.E os corações cheios de lixo não têm melhor sorte do que o Pelicano. Estarão à deriva. Quem vai querer oferecer espaço para um coração que não tem mais espaço para nada e cheira mal?

A vida produz lixo na alma todos os dias. Cargas e mais cargas de ira, culpa, pessimismo, amargura, intolerância, ansiedade, decepção, impaciência… Tudo isso vai se acumulando. Tal resíduo altamente tóxico afeta a nós e aos outros. Não conseguimos aportar em outras vidas. Ele contamina nossos relacionamentos. Mantendo este lixo a bordo as outras pessoas, de longe, sentirão o seu mau cheiro.

Os problemas do navio Pelicano começaram com o primeiro carregamento.  Deveria tê-lo rejeitado desde o início, mas quando as primeiras cargas chegaram, o navio tornou-se um depósito de lixo permanente. A vida de todos a bordo teria sido muito mais fácil se não tivessem permitido que o lixo entrasse e se acumulasse.

Como mudar a situação do navio Pelicano? Precisará voltar à Filadélfia e mudar seu carregamento. Nada voltará ao normal se não descarregar o lixo. Depois, precisa ser cuidadosamente limpo de toda conseqüência da presença de anos e anos de resíduos tóxicos e poluidores. Só depois de vazio e limpo ele voltará a ter uma história normal.

Antes de começar a receber ideias, coisas e pessoas novas, é essencial que você abra espaço para elas. Seja implacável em livrar-se daquilo que já não lhe serve mais. Jesus disse que “Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus”. Sem o coração limpo, não se tem outra visão que não seja o próprio coração entulhado.

            Nós temos um lugar para ir. Podemos aportar nossa alma em Jesus. Ele, na cruz, tornou-se o depósito dos pecados do mundo, e O fez de bom grado. Receberá tudo o que nos tornou carregados de entulhos e nos devolverá à vida normal, que terá começo, mas não tem final previsto.

            É para todo o sempre!

                                                                                  Pr. Sérgio de Oliveira Campos