“E me farão um santuário, para que eu possa habitar no meio deles. Segundo tudo o que eu te mostrar para modelo do tabernáculo e para modelo de todos os seus móveis, assim mesmo o fareis”

Êx. 25:8-9

 

Quando entrei pela primeira vez na Catedral da Praça da Sé em São Paulo, inicialmente, achei um exagero: a altura do teto, das portas, e a desproporção das janelas. Tudo era imenso! Pensei comigo mesmo: “Por que fazer uma construção assim tão grande se as pessoas que vão entrar aqui são tão pequenas?

Então alguém me explicou que havia um propósito nestas edificações gigantescas: que as pessoas quando entrassem ali, se sentissem pequenas diante da presença de Deus. Ainda que Deus não habite templos feitos por mãos humanas, eu me senti um montinho de barro insignificante dentro daquela majestosa edificação.

Quando em visita a Portugal vi catedrais ainda maiores e mais ricas, construídas na sua grande maioria durante a idade média, quando as pessoas tinham a firme impressão que Deus habitaria nessas edificações, e não no coração delas.

Quando Deus deu ordens a Moisés que lhe edificasse um tabernáculo, Ele disse que daria a Moisés um modelo. De onde será que os homens medievais tiraram seus modelos de igrejas? Seriam essas edificações desproporcionais o modelo expresso por Deus para que fosse feito seu tabernáculo entre os homens?

Tempos atrás Imaginei-me na responsabilidade de Moisés, como se eu fosse um construtor que recebeu um cliente muito especial: alguém muito bom e ao mesmo tempo muito exigente. Eu teria que entender a vontade plena daquele que me incumbiu de lhe edificar uma casa, e construir algo que fosse integralmente do agrado de d’Ele.

Em geral buscamos a Deus para que Ele construa algo em nós. Ele sabe todas as coisas, e tem todo o recurso e todo o poder. Ele faz o melhor, o perfeito, porque isso são atributos deste construtor. Mas quando a situação se inverte, nos sentimos com uma grande responsabilidade: edificarmos uma casa para que Deus habite em nosso meio. A obra precisará estar de acordo com o modelo. Do contrário será uma mera casa de homens, cheia de problemas e marcas de homens, com rachaduras e distorções geradas pelos nossos pecados. Estaremos dentro, mas Deus estará fora.

Vejo assim a criação e construção de uma Igreja. Não falo de um prédio de paredes e janelas. Falo das pessoas, do edifício de pedras vivas, trabalhadas e encaixadas pela graça. Precisamos ser essa casa onde Deus manifestará Sua presença no nosso bairro, nos horizontes que se estendem do lado que nasce o sol.

A obra começou bem antes da minha chegada, mas o Senhor me pôs à frente dessa construção chamada Goiânia Leste. E aqui estamos há vários anos. Muitas mudanças, erros e acertos, e a obra não está concluída. Aliás, quanto mais avançamos no projeto, percebemos que a construção está longe do final.

Visitei templos imensos em riqueza e arquitetura, mas desprovido de pessoas. As pedras vivas se foram restando apenas o prédio, como casca de cigarra abandonada sobre um tronco de árvore ao final do outono. Ali, como um museu cheio de relíquias, pagamos um ingresso, tiramos fotos e imaginamos que aquilo um dia teve vida ebulindo, pessoas em transformação, curas ocorrendo no corpo e na alma, gente sendo suprida em suas necessidades, jovens e crianças enchendo o lugar de ruídos e alegria. Elas um dia foram uma movimentada casa de Pão e de Perdão. Mas a vida se foi quando as pessoas se foram.

Aqui estamos em plena construção, e há muito o que fazer. Precisamos de trabalhadores, talentos e de recursos. Os sonhos e projetos buscamos baseados no modelo expresso na Bíblia. O amor é a motivação e está na base de tudo. Por isso, creio que a obra agradará seu Dono.

Pr. Sérgio de Oliveira Campos