“Jesus levantou-se da mesa, tirou sua capa, colocou uma toalha em volta da cintura, derramou água numa bacia, abaixou-se, lavou os pés dos seus discípulos…Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também”. João 13:14,15

Meu pai era rígido e nos passava uma impressão que ele nunca errava. Para nós havia sempre uma vigilância permanente para não sermos pegos nas faltas, e não enfrentarmos seu juízo rigoroso. Lidar com isso nos assustava e ao mesmo tempo nos dava uma certa admiração, pois nos transmitia uma sensação de que éramos conduzidos com segurança.

Uma das guerras que ele travava conosco era pelas roupas sujas que deixávamos no banheiro. De forma enérgica, ele pegava essas roupas e as jogava pelo chão. Mas um certo dia, encontrei, pendurada no registro, uma roupa dele esquecida após o banho. Não poderia perder essa “chance” de questionar meu pai… ele também esquecia.

Com o tempo fomos constatando que nossos pais cometiam falhas. Aliás, todos os seres humanos – uns mais outros menos – são passíveis de erros. Queríamos muito que a perfeição acontecesse nas autoridades constituídas, no médico que nos atende, no professor que nos ensina – todos eles – que fossem infalíveis. Mas precisamos aprender relevar e perdoar a eles, e a nós mesmos, pois também falhamos.

Desde Adão aprendemos com os erros e acertos. Buscaremos nas palavras e atitudes que nos cercam, moldarmos nosso caráter. Nesse processo, as ações sempre falam mais forte e profundo do que as palavras.

As atitudes educam – ou deseducam. Um exemplo pode vir de baixo para cima, mas ele é mais necessário quando vem de cima para baixo. O mau exemplo é sempre muito mais escandaloso quando vem de cima para baixo. Sem bons exemplos, o cidadão, a família e a igreja perdem o rumo. De olhos fixos em meus pais, me tornei aquilo que meus filhos, meus alunos e ovelhas observam e buscarão imitar ou rejeitar. Meu exemplo sempre falará mais forte do que as minhas exigências.

O maior legado que alguém pode oferecer é o seu exemplo. Depois da salvação, o legado maior de Jesus foi o seu exemplo. Pedro menciona esse fato: “Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos, o qual não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca” (1 Pe 2:21-22) Quando crianças ou aprendizes não têm um “modelo” reto para seguir, pode-se esperar uma decadência em cadeia, que se alastra por todos os níveis da sociedade. Bons exemplos são sementes para a transformação e santificação do mundo.  Jesus fez da sua vida um ensino. Quando Filipe, seu discípulo, pediu-lhe que “mostrasse a eles o Pai” a resposta de Jesus é um olhar sobre sua própria vida: “Quem vê a mim, vê o Pai… Crede-me que estou no Pai, e o Pai, em mim; crede ao menos por causa das mesmas obras”. (Jo. 14:9-11).

O fato de constatarmos que meu pai também errava não justificaria que o desobedecêssemos ou afrontássemos sua autoridade. As novas gerações têm perdido o respeito pelos antigos. Esse é o ponto de partida para se estabelecer a ANARQUIA – princípio básico de oposição/negação a todo conceito de hierarquia ou princípio de autoridade, que se caracteriza pela ausência de organização, controle ou liderança. É o ponto de partida para o caos.

Aprendi a perdoar meus pais. O perdão será sempre a cura para os erros. Se hoje não esqueço minhas roupas sujas no banheiro, cometo outras falhas, e precisarei de perdão e correção todo o tempo. Chamo de correção não o “castigo” pelas falhas, mas o ensino do caminho correto. Acertar meus passos é também ensinar a próxima geração a corrigir suas falhas e os erros que herdaram das gerações passadas.

Minha paz em tudo isso é que conheci alguém que realmente não erra. Posso seguir o que Ele diz, e confiar sempre no seu sim ou não. Eu o descobri na Bíblia, e depois o encontrei nos meus caminhos.

Ele se chama Deus.

                                                                                    Pr. Sérgio de Oliveira Campos